A pintura industrial constitui-se no método de proteção anticorrosiva de maior utilização na vida moderna. Pela sua simplicidade, de proteger por pintura tem sido exaustivamente utilizado pelos seres humanos nas construções e em objetos confeccionados em aço.
O aço é nos tempos atuais, e foi durante todo o século passado, o principal material de construção industrial. Porém, devido à corrosão, só foi possível o sucesso de sua utilização com o emprego de revestimentos eficazes, destacando-se neste caso o revestimento por tintas, que é um revestimento anticorrosivo normalmente orgânico, aplicado sobre a superfície que se quer proteger, com espessura inferior a 1 mm.
PINTURA COMO TÉCNICA DE PROTEÇÃO ANTICORROSIVA
Como técnica de proteção anticorrosiva, a pintura possui uma série de características importantes, tais como facilidade de aplicação e de manutenção, relação custo/ beneficio atraente e ainda pode proporcionar outras propriedades adicionais como:
• Finalidade estética: Neste caso o objetivo é tornar o ambiente agradável;
• Sinalização de estruturas ou de equipamentos;
• Identificação de fluidos em tanques ou tubulações;
• Auxílio na segurança industrial;
• Impedir a incrustação de microrganismos marinhos nos cascos das embarcações: A aplicação das chamadas tintas anticrustantes ou “antifouling” nos cascos das embarcações evita a incrustação de microrganismos marinhos nos mesmos, o que contribui para evitar o consumo excessivo de combustível e aumentar a durabilidade da proteção anticorosiva;
• Permitir maior ou menor absorção de calor: Através do uso correto das cores das tintas pode-se, por exemplo, reduzir as perdas por evaporação em tanques de combustível. A cor branca é a mais indicada para esta finalidade. Já a cor preta é recomendada para os casos em que há necessidade de uma maior absorção de calor;
• Diminuição da rugosidade superficial: A pintura pode ajudar a diminuir a rugosidade superficial, para facilitar o escoamento de fluidos;
• Identificação de falhas em isolamento térmico de equipamentos: Através da utilização de tintas indicadoras de temperatura pode-se detectar a presença de falhas no isolamento térmico, uma vez, que nos locais de falhas do mesmo, a pintura muda de cor;
Quando se vai proteger uma estrutura ou um equipamento, por meio de revestimentos por pintura, na realidade o que se vai fazer é a aplicação de um esquema de pintura sobre a superfície a ser protegida. É comum definir-se esquema de pintura como sendo um procedimento dentro do qual se especificam todos os detalhes técnicos envolvidos em sua aplicação, como por exemplo:
• O tipo de preparação e o grau de limpeza da superfície;
• As tintas de fundo (“primer”), intermediária e de acabamento a serem aplicadas;
• A espessura de cada uma das demãos de tintas;
• Os intervalos entre demãos e os métodos de aplicação das tintas;
• Os critérios para a execução de retoques na pintura;
• Os ensaios de controle de qualidade a serem executados na pintura;
• As normas e os procedimentos a serem seguidos para cada atividade a ser realizada (ex: Normas de aderência, de medição, de espessura e etc.).
Para fins de proteção anticorrosiva de estruturas metálicas ou de equipamentos, um esquema de pintura é composto, na maioria dos casos, por três tipos de tinta: Tinta de fundo ou primária (“primer”), tinta intermediária e tinta de acabamento. É importante ressaltar que nem sempre é necessária a presença da tinta intermediária. Em alguns casos, de pendendo de especificação do esquema de pintura, ela pode ser substituída por uma demão adicional de tinta de fundo ou da tinta de acabamento.
• Tintas de fundo ou primárias (“primer”): São aquelas que são aplicadas diretamente ao substrato. E são responsáveis pela aderência dos esquemas de pintura.
• Tintas intermediárias: São tintas normalmente utilizadas nos esquemas de pintura com a função de aumentar a espessura do revestimento, com um menor número de demãos, com o objetivo de melhorar as características de proteção por barreira do mesmo.
• Tintas de acabamento: São as tintas que têm a função de conferir a resistência química ao revestimento, pois são elas que estão em contato direto com o meio corrosivo. Além disso, são as tintas que conferem a cor final aos revestimentos por pintura.
SISTEMAS DE PINTURA
Os sistemas de pintura consistem de um conjunto constituído por vários elementos que, dentre os mais importantes pode-se destacar:
• Padrão de limpeza da superfície;
• Especificação das tintas: de fundo, intermediária e acabamento;
• Processo de aplicação das tintas;
• Número de demãos de tintas e espessuras secas por demão;
• Intervalo entre demãos;
• Ensaios para aceitação e qualificação do sistema de pintura (espessura seca final, aderência, descontinuidade e outros).
Na seleção ou elaboração de um sistema de pintura, principalmente aqueles destinados à anticorrosiva, diversos fatores são levados em consideração a fim de se obter o desempenho esperado. Os mais importantes são:
• Condições de exposição das superfícies (submersa, entrerrada ou exposição atmosférica);
• Agressividade do meio corrosivo ao qual o material a ser protegido ficará exposto;
• Condições operacionais de trabalho (temperatura, abrasão, etc).
Além destes, outros fatores podem determinar variações no sistema de pintura, em função de certas situações, por exemplo:
• Equipamentos ou instalações de grande importância, em um processo industrial e que dificilmente podem ser colocados em manutenção, necessitam de um sistema de pintura de alta performance;
• Equipamentos ou instalações de maior responsabilidade, que possuam utilização em apenas certos períodos, ou que entrem em manutenção periodicamente, podem ser pintados com sistemas mais econômicos do que aqueles indicados exclusivamente do ponto de vista de ambiente corrosivo.
APLICAÇÃO DE SISTEMAS DE PINTURA
A eficiência da proteção anticorrosiva conferida por um sistema de pintura depende de uma série de fatores que dentre os mais importantes podemos destacar:
● Especificação do sistema de pintura;
● Preparação da superfície;
● Qualidade das tintas;
● Aplicação das tintas;
● Preparação do aço;
● “Lay Out” anticorrosivo
A especificação do sistema de pintura deve ser elaborada adequadamente em função da agressividade do meio e das condições de trabalho das estruturas ou equipamentos, a fim de selecionar as tintas e os métodos de preparação da superfície mais apropriados.
A preparação da superfície é um fator determinante para garantir a adesão das tintas aos substratos em geral e como e como conseqüência concorrerá para aumentar a proteção anticorrosiva do sistema de pintura.
A qualidade das tintas é um fator muito importante, pois se elas não atenderem aos requisitos contidos nas suas especificações e não resistirem às condições do meio que serão expostas, certamente a proteção anticorrosiva ficará prejudicada.
A aplicação das tintas, é uma das etapas que também se não for executada adequadamente todo o sistema de pintura ficará comprometido.
Condições climáticas durante a aplicação ( umidade relativa, temperatura do ar e do substrato), controle de espessura úmida e seca, intervalo de repintura entre demãos, adesão ao substrato metálico e verificação de porosidades, são algumas das principais propriedades que normalmente são observadas durante e após a aplicação das tintas.
A preparação do aço é a etapa da pintura que consiste em quebrar quinas vivas, remover respingos de soldas, preencher porosidades, esmerilhar superfície irregulares como cordões de solda manual e cortes a maçarico.
O “lay out” anticorrosivo se refere aos cuidados específicos que devem ser tomados durante a fase de projeto das estruturas ou equipamentos.